| |
|
|
|
Não
serei eu a reclamar do vento, não serás tu a deter o
tormento de ter bebido um dia a vida num só momento
Não
sou sozinho, povôo o silêncio. Acomodo meus temas, lemas e
poemas nas palavras não ditas. Escritas no pranto e no canto
de ser.
Moldei
meus gestos, |
|
transformei-me em palvras, |
|
divorceie-me do real |
|
e, vagamente,deixei que a |
|
verdade me denunciasse. |
|
( Não porcurei alento no que dizia |
|
e nem me preocupei |
|
com o tempo |
|
que rapidamente me diluia) |
|
Num mundo que não é segredo |
|
e nem fantasia |
|
me defini, na sombra de minha letra |
|
e na sórdida solidão |
|
dos meus escritos |
Bem
de mansinho chegaste, |
|
rasgaste o pano velho, sofrido, |
|
que escondia o horizonte. |
|
Depois como uma pluma |
|
levemente pousaste |
|
sobre um amontoado de sonhos |
|
amarelados |
|
Entre lágrimas, risos, |
|
não ficaste para o acaso. |
|
( Só desiludida, pela mesma janela |
|
partiste deixando apenas o perfume |
|
entre os retalhos da velha cortina |
|
|
Despojei-me
de ilusões, |
|
para encontrar, |
|
no orvalho do presente, |
|
fragmentos do tempo. |
|
Místico tempo |
|
que se confunde com |
|
a sombra do silêncio. |
|
Despojei-me |
|
do pensamento mofo, |
|
dos que não vêem |
|
poesia em pés descalços. |
|
Erqui-me |
|
perante mãos que se tocam; |
|
a gestos que mostram |
|
caminhos; |
|
a lágrimas que não se intimidam; |
|
a vozes que não calam. |
|
Despojei-me do todo |
|
para nascer de novo. |
|
Rasguei
minhas |
|
vestes
ao transpor |
|
o
diálogo do tempo. |
|
Cessei
as buscas, |
|
bebi
a espera |
|
e,
no eco do que me rodeava |
|
encontrei
em mim |
|
o
que precisava |
|
Quisera
te pertencer |
|
como te pertence: |
|
a água, a terra, o ar e tudo o que faz |
|
de ti um ser vivo. |
|
Quisera ser o solo batido, |
|
a rua por onde passas. |
|
Aquele instante onde te procuras |
|
e desabafas. |
|
Quisera ser teus momentos, |
|
teus encantos |
|
teus tormentos para multiplicar em motivos, |
|
para fazer de ti um simples paraíso |
|
Quisera apossar-me de tí, |
|
Tê-la em mim, mesmo que fosse |
|
para diminuir a vida, |
|
(acelerara a morte) |
|
e me arrebentar surdo e mudo |
|
no jardim das graças alcançadas. |
|
Quisera... embora o querer, |
|
sou a sombra da espera, |
|
a verdade de ser o que não procuras |
|
Vou
só com a noite, |
|
calado de pés descalços |
|
procurando sombras |
|
Descobrindo... |
|
Desisto de ser |
|
Para choras baixinho, |
|
lembranças de alguém |
|
que me ensinou um caminho |
|
e, em meio a tespestade, |
|
me deixou sozinho... |
Chega
! |
|
não importa como, |
|
faça de mim |
|
o que te basta, |
|
o que te completa, |
|
o que te satisfaz. |
|
Esquece o que existe. |
|
O que sofreste |
|
o que sentiste, |
|
para que também possa sentir. |
|
Chega ! |
|
Faça de mim um embrulho qualquer, |
|
mas tenha-me rente ao ventre |
|
para que eu possa ouvir |
|
o responsável do meu partir. |
|
Vem ! |
|
reparte comigo este tempo. |
|
Faça de mim, |
|
o que te basta, |
|
o que te completa, |
|
o que te satisfaz, |
|
para que eu possa mar |
|
(nem que seja ) |
|
Minha própria desgraça |
|
|
Lá
vou eu, numa sombra apenas. |
|
Sinto teus passos, |
|
teu respirar profundo |
|
com a noite me confundo. |
|
Assim vou eu, |
com pés descalços,
|
cheio de retalhos. |
|
Ombros caídos, |
|
braços cansados, |
|
semi - adormecidos . |
|
Assim vou eu. |
|
Uma sombra apenas, |
|
traços jogados ao vento |
|
a engolir o tormento dos sonhos que fiz. |
|
|
|
Ao
longo do tempo foram publicados 3 livros, dois por conta
própria e um em parceria com Ademir Antônio Bacca e Vânia
Larentis.
No lançamento do Livro
Uma Porta Aberta contou coma presença
do Poeta Gaúcho Mário Quinta , sendo esta a única vez que
visitou o município de Beneto Gonçalves. Presentes, também,
o Poeta Oscar Bertholdo, Carlos Nejar e Lucindo João
Andreola entre outros. O lançamento foi realizado no Salão
Nobre da Prefeitura de Bento Gonçalves em ato Oficial

Mario Quintana
"Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas.
Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha,
nem desconfia que se acha conosco desde o início
das eras. Pensa que está somente afogando problemas
dele, João Silva... Ele está é bebendo a milenar
inquietação do mundo!"
Nome:
Mario Quintana
Nascimento:
30/07/1906
Natural:
Alegrete - RS
Morte:
05/05/1994
Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
(Prosa e Verso, 1978)
Eu queria
trazer-te uns versos muito lindos
"Eu
queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que
dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!" |
|